quinta-feira, 1 de março de 2012


Mulheres adultas carregam células-tronco capazes de produzir óvulos.

Para que ocorra a fecundação, células reprodutoras masculinas (espermatozóides) precisam se encontrar com células reprodutoras femininas (óvulos). Pensava-se que essas células fossem produzidas uma só vez na vida, amadurecendo até a puberdade para dar início ao processo conhecido como ovulação, a ‘liberação’ dos óvulos. Entretanto, um artigo publicado no periódico científico especializado Nature Medicine mostra que mulheres adultas podem possuir células-tronco capazes de fazer novos óvulos. A descoberta pode revolucionar a maneira como cientistas entendem a reprodução, lançando luz sobre muitas técnicas de fertilização in vitro.
Em 2004, um grupo de pesquisadores disse ter isolado células-tronco similares em ratos. Muitos cientistas ficaram céticos a respeito dos resultados da pesquisa. Para testar a hipótese com meios mais sofisticados, um time do Hospital Massachusetts em Boston, nos EUA, refez a coleta e identificação de células ovarianas de camundongos. Para isso, usaram uma técnica que colore apenas as células-tronco. Depois de verificar que os resultados estavam corretos, aplicaram o método em células congeladas coletadas do ovário de mulheres em idade reprodutiva. Ao transplantar as células-tronco em animais, viram que as células coloridas começaram a se assemelhar a ovócitos (óvulos imaturos).
Apesar de novos experimentos serem necessários para avaliar se essas células conseguiriam, de fato, amadurecer a ponto de estarem prontas para a fertilização, os pesquisadores estão muito otimistas com os resultados. Mesmo que seja provado que essas células não formam naturalmente novos óvulos no corpo, há a possibilidade de que elas possam ser induzidas a isso, revolucionando a reprodução assistida. O método poderia ajudar pacientes submetidas a quimioterapia, mulheres com menopausa precoce e até mesmo aquelas que sucumbem naturalmente aos efeitos do envelhecimento. Mais: o estudo dessas células poderia, eventualmente, levar ao desenvolvimento de hormônios e medicamentos para revigorar o organismo e desacelerar o relógio biológico feminino.

Fonte: Estadão